Apartamento Ygará

Brooklyn – São Paulo – Brasil

Autores

André di Gregorio,
Rodrigo Maçonilio

Equipe

Anariá Reis
Renata Fássio
Laís Pania
Victoria Menezes

Ano

2019

Área

95m²

Fotografias

Maura Mello

Lar para um jovem empresário

Depois da primeira conversa com o futuro morador ficou definido que a integração dos ambientes seria alcançada por meio do uso de uma paleta de materiais pequena e que o mobiliário sempre que possível passaria por mais de um ambiente. Basicamente temos madeira e algum cinza [fórmica, concreto ou o porcelanato de alta resistência] sobre um fundo branco.

Nas áreas comuns a madeira vai nas paredes para que visitantes e moradores possam toca-la e observa-la nos momentos de descontração e refeições. Nas áreas íntimas a madeira está no piso reforçando o aconchego do caminhar descalço.

A cozinha que antes era escura, ganhou entrada de luz quando removemos a porta da sacada e parte das alvenarias intermediárias. Essa nova luminosidade foi potencializada com a paleta de materiais brancos do ambiente, piso em granilite com pedriscos brancos e azuis, pedra da bancada clara, armários e gabinetes feitos com a mesma madeira do painel mas dessa vez com leve camada de tinta branca são ótimos para rebater luz e ao mesmo tempo preservar as texturas e peculiaridades de cada material.

A paleta de materiais enxuta fez com que não ficasse claro, por exemplo, onde estão lavabo, roupeiro, portas dos dormitórios ou a estante, uma vez que todos foram organizados em um painel feito com a mesma madeira e com desenho que minimiza ao máximo eventuais saliências, puxadores ou qualquer item que pudesse quebrar o fluxo orgânico do traço que percorre toda a planta.

A viga em concreto foi descascada e permanece ali contando qual foi a primeira parede demolida e servindo de régua para a altura de todos os demais itens do lar. A readequação da planta fez com que a mesa de seis lugares coubesse onde um dia foi a porta da sacada. Agora jantares, churrascos e celebrações podem usufruir de iluminação natural e ao mesmo tempo manter a relação com sala de estar e cozinha.

O viver contemporâneo buscado pelo morador prevê que quem cozinha não precise ficar encerrado por quatro paredes mas sim em contato com todo o espaço e pessoas. Para dividir sensorialmente cozinha e estar temos um rebaixo no forro, alteração do piso e do tratamento dado à madeira.

A ilha torna-se um elemento propositalmente pesado e central uma vez que é rugosa, escura, nasce do chão ao passo que está envolta por paredes e painéis claros que por meio de rodapé invertido nem chegam a tocar o piso. Quem se encosta na ilha passa a se destacar no contraste de cores.

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